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Correios registram prejuízo de R$ 8,5 bilhões, triplicando perdas

Perdas da estatal triplicam em 2025, impulsionadas por obrigações judiciais e custos. Presidente projeta recuperação e afasta privatização.

24/04/2026 às 01:19
Por: Redação

A estatal Correios registrou um déficit de 8,5 bilhões de reais em 2025, um valor que representa mais que o triplo do prejuízo de 2,6 bilhões de reais reportado em 2024. A empresa atribuiu essa significativa piora no resultado financeiro principalmente ao provisionamento de obrigações judiciais e a um aumento generalizado nos custos operacionais.

 

A maior parte desse montante, cerca de 6,4 bilhões de reais, teve origem em processos judiciais no ano passado, o que constitui um aumento de 55,12% em comparação com o ano de 2024. O passivo na Justiça é composto, em grande parte, por demandas trabalhistas, englobando pagamentos reivindicados por empregados relativos a adicionais de periculosidade e adicionais pela atividade de distribuição e coleta externa.

 

A receita bruta dos Correios em 2025, desconsiderando os pagamentos que a própria empresa deveria realizar, atingiu 17,3 bilhões de reais, marcando uma redução de 11,35% em relação ao ano anterior. O balanço financeiro detalhado da empresa será publicado oficialmente no Diário Oficial da União.

 

Diante do acúmulo de resultados negativos, a companhia buscou financiamento e obteve um aporte total de 12 bilhões de reais por meio de empréstimos concedidos por bancos, tanto públicos quanto privados.

 

Desafios Financeiros e Operacionais

Os Correios têm enfrentado um prolongado período de dificuldades financeiras, com resultados parciais negativos sendo observados de forma contínua desde o último trimestre de 2022. Essa sequência de desempenho desfavorável já totaliza 14 trimestres de ônus para a empresa.

 

“É um ciclo vicioso. A dificuldade de caixa gera dificuldade de pagamento ao fornecedor, isso afeta a operação. Ao afetar a operação, a gente macula a capacidade de aumentar o volume [de trabalho] ou de gerar novos contratos”, explicou o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, em entrevista coletiva na sede da empresa em Brasília.

 

O presidente da estatal também ressaltou a dificuldade da empresa em compensar imediatamente a diminuição de suas receitas com cortes de gastos. Ele detalhou que “A estrutura de custo é muito rígida, e está ancorada em despesas de custos fixos. Quando há uma queda de receita, não se consegue diminuir a despesa no mesmo momento para poder fazer esse equacionamento”.

 

Reestruturação e Mudanças no Mercado

O contexto dos balanços financeiros negativos coincide com uma transformação estrutural no setor de atuação dos Correios. Nos últimos anos, empresas de comércio eletrônico têm expandido significativamente suas próprias operações logísticas, reduzindo a dependência dos serviços da estatal para entregas.

 

Este cenário de concorrência intensificada surge após a perda de parte do mercado de postagem tradicional, impulsionada pelas novas formas de comunicação digital, um fenômeno que Rondon descreve como a “desmaterialização” da carta. Com formação em economia, o atual presidente assumiu o cargo em setembro do ano passado, com um mandato que se estende até agosto de 2027, tendo como principal objetivo a reestruturação da empresa.

 

Como parte das estratégias de saneamento, a empresa implementou dois planos de demissão voluntária (PDV). Na edição mais recente, realizada entre fevereiro e abril deste ano, 3.181 funcionários aderiram ao desligamento. Este número foi inferior ao registrado no PDV de 2024/2025, que contabilizou 3.756 empregados, embora o período de adesão do programa atual tenha sido mais curto. A projeção inicial dos Correios era alcançar 10 mil desligamentos, e a possibilidade de abertura de novos planos de demissão voluntária no futuro permanece.

 

Os Correios têm implementado diversas ações para mitigar custos operacionais, incluindo a otimização das operações de recebimento, distribuição e entrega de correspondências e encomendas. Além disso, a estatal renegociou dívidas com seus fornecedores, estendendo prazos de pagamento, e iniciou um processo de redução de despesas relacionadas à ocupação de imóveis e à manutenção de suas agências.

 

Futuro e Posição sobre Privatização

Emmanoel Rondon expressou confiança na recuperação econômica da empresa, projetando resultados positivos a partir de 2027. Ele também antecipa que, com a continuidade do processo de reestruturação, a estatal terá maior capacidade de atrair recursos junto a financiadores.

 

Contrariando as defesas de privatização por parte de alguns economistas e correntes de mercado, Rondon afirmou que a venda da estatal não está em discussão. Ele reiterou que a decisão sobre privatizar ou não cabe ao governo federal, que é o controlador da empresa.

 

“Esse assunto não está na pauta aqui. Estamos apresentando os resultados. Privatização ou não é uma decisão do controlador [o governo federal]. O que que a gente quer? Aqui estamos trabalhando em um plano de gestão de recuperação, para que a empresa permaneça íntegra, viável, que preste um bom serviço, dê resultado positivo”, declarou o presidente.

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