O basquete mundial perdeu uma de suas figuras mais icônicas nesta sexta-feira (17), com o falecimento de Oscar Daniel Bezerra Schmidt, conhecido como Oscar Schmidt, na capital paulista. O ex-atleta, que tinha 68 anos, enfrentava um tumor cerebral há aproximadamente 15 anos.
A prefeitura de Santana de Parnaíba, município de São Paulo onde residia o jogador, informou que Oscar Schmidt foi socorrido pelo Serviço de Resgate após passar mal em sua casa. Ele foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), mas chegou à unidade já em parada cardiorrespiratória e sem vida.
Por meio de nota, a assessoria do ex-jogador destacou o impacto de sua carreira e personalidade.
"Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo", afirmou a assessoria.
A despedida do Mão Santa, como era carinhosamente chamado, será restrita aos familiares, em um momento de recolhimento e privacidade, conforme desejo da família.
Nascido em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte, Oscar Schmidt começou sua jornada no basquete aos 13 anos, após a família se mudar para Brasília. Foi o técnico Zezão quem o motivou a buscar o Clube Vizinhança, onde Laurindo Miura comandava os treinos.
Aos 16 anos, em 1974, Oscar mudou-se para São Paulo para integrar a equipe infanto-juvenil do Palmeiras. Sua ascensão foi rápida: em 1977, foi convocado para a seleção juvenil de basquete e reconhecido como o melhor pivô do sul-americano juvenil.
Na seleção principal brasileira, Oscar conquistou o campeonato sul-americano e uma medalha de bronze. Em 1979, adicionou à sua coleção a Copa William Jones, um prestigiado torneio mundial interclubes de basquete. Sua estreia em Olimpíadas ocorreu no ano seguinte, em Moscou (1980).
O jogador participou de mais quatro edições dos Jogos Olímpicos: Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996), em todas elas se consagrando como o cestinha da competição. Sua carreira internacional incluiu 11 temporadas na Itália, divididas entre oito anos no Juvecaserta e três no Pavia.
Oscar retornou ao Brasil em 1995, unindo-se ao Corinthians, equipe pela qual conquistou seu oitavo título brasileiro em 1996. Posteriormente, defendeu as cores de outros clubes nacionais: o Banco Bandeirantes (entre 1997 e 1998), o Mackenzie (de 1998 a 1999) e o Flamengo (de 1999 a 2003).
Foi no time rubro-negro que Oscar Schmidt estabeleceu um dos feitos mais impressionantes de sua trajetória: tornou-se o maior cestinha da história do basquete mundial, acumulando 49.737 pontos. Ele superou a marca de Kareem Abdul-Jabbar, que detinha 46.725 pontos.
O talento de Oscar foi amplamente reconhecido. Em 1991, a Fédération Internationale de Basketball (Fiba) o incluiu na lista dos 50 Maiores Jogadores de Basquete. Ele também foi homenageado com a integração ao Hall da Fama da NBA. Em 2003, o Mão Santa encerrou sua carreira nas quadras.
Mesmo após a aposentadoria, Oscar Schmidt manteve-se ativo, dedicando-se à carreira de palestrante. Em 2022, aos 64 anos, ele abriu as portas de sua residência em São Paulo para a equipe do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil.
Na ocasião, em uma sala adornada com inúmeras medalhas e troféus, ele refletiu sobre sua vida e a satisfação de compartilhar sua história.
"Eu não acho que eu tenho 64 anos. Eu vivo minha vida intensamente, mas por outro lado, calmamente", declarou Oscar na entrevista.
Ele também expressou o prazer em sua nova atividade, afirmando: "Eu adoro fazer palestra que eu vejo os olhos das pessoas olhando assim para mim, batendo palma. E eu estou contando a minha história para eles. Isso repõe, em parte, tudo aquilo que eu perdi parando de jogar".