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Dourados entra em calamidade por chikungunya e inicia vacinação na segunda-feira

Município enfrenta surto com mais de 6 mil casos prováveis e confirma oito mortes; vacinação será seletiva e começa após capacitação de profissionais.

22/04/2026 às 17:12
Por: Redação

A prefeitura de Dourados, localizada no Mato Grosso do Sul, decretou estado de calamidade pública em virtude do avanço da epidemia de chikungunya. Inicialmente, a doença estava concentrada na Reserva Indígena de Dourados, mas os registros de casos se espalharam para bairros urbanos do município.

 

O prefeito Marçal Filho já havia emitido, em 20 de março, um decreto reconhecendo a situação de emergência em saúde pública. Posteriormente, foi editado um novo decreto declarando emergência em defesa civil nas áreas atingidas pela chikungunya. Agora, o terceiro decreto, publicado após orientação do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), intensifica as medidas para coordenar o combate tanto na reserva indígena quanto na área urbana.

 

O cenário epidemiológico do município é considerado crítico, com mais de 6.186 casos prováveis notificados e uma taxa de positividade de 64,9%. Dados do Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município apontam que a capacidade instalada de leitos foi superada, chegando a uma taxa de ocupação de aproximadamente 110%. O comunicado da prefeitura ressalta que, diante desse quadro, torna-se inviável garantir atendimento oportuno, inclusive para casos graves da doença.

 

O decreto de calamidade pública tem vigência de 90 dias, conforme informado pelo município.

 

Imunização será iniciada

A vacinação contra chikungunya está prevista para começar em Dourados na segunda-feira, 27 de maio. O primeiro carregamento com as vacinas chegou ao município na noite de sexta-feira, 17 de maio.

 

Nos dias 22 e 23 de maio, serão realizados treinamentos com profissionais de enfermagem da rede municipal. O objetivo é orientar a população sobre as regras e restrições da vacina, além de identificar possíveis comorbidades antes da aplicação.

 

De acordo com as normas do Ministério da Saúde, a imunização será destinada somente para pessoas com idade superior a 18 anos e inferior a 60 anos. A meta estabelecida é alcançar ao menos 27% da população elegível de Dourados, o que corresponde a cerca de 43 mil pessoas.

 

Existem restrições definidas para a aplicação da vacina, que não poderá ser administrada em:

 

  • gestantes e lactantes;
  • indivíduos em uso de imunossupressores, como corticosteroides em doses elevadas;
  • pessoas com imunodeficiência congênita;
  • pacientes em tratamento de câncer submetidos à quimioterapia ou radioterapia;
  • transplantados de órgão sólido;
  • transplantados de medula óssea com menos de dois anos do procedimento;
  • pessoas vivendo com HIV/aids;
  • indivíduos diagnosticados com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatóide;
  • pessoas portadoras de pelo menos duas condições crônicas, incluindo diabetes, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer (em tratamento ou em remissão).

 

Outras contraindicações incluem:

 

  • quem teve chikungunya nos últimos 30 dias;
  • pessoas que estejam com quadro febril grave;
  • indivíduos vacinados com imunizante de vírus atenuado nos 28 dias anteriores;
  • quem recebeu vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias.

 

A prefeitura destaca que a imunização deve ocorrer de maneira mais lenta, pois será necessário que cada pessoa da população-alvo passe por avaliação prévia com um profissional de saúde antes de receber a dose. Na sexta-feira, 24 de maio, as vacinas serão distribuídas entre todas as salas de imunização do município, incluindo as unidades que atendem a saúde indígena.

 

Além disso, está programada uma ação especial de vacinação em sistema drive-thru no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura.

 

A vacina, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, começará a ser disponibilizada de forma estratégica em regiões consideradas de risco para transmissão da doença. Cerca de 20 cidades em seis estados diferentes devem ser beneficiadas gradativamente.

 

“A seleção dos municípios considerou desde fatores epidemiológicos, relacionados à potencial ocorrência de casos de chikungunya em regiões onde o vírus já está circulando, até o tamanho populacional dos municípios e a facilidade operacional de se implementar uma nova vacina no sistema local de saúde em um curto prazo”, informou a prefeitura.


 

Atualização dos registros da doença

Até a segunda-feira, 20 de maio, foram contabilizados em Dourados 4.972 casos prováveis de chikungunya, dos quais 2.074 foram confirmados. Outros 1.212 casos foram descartados e há 2.900 sob investigação. Até o momento, o município confirmou oito óbitos relacionados a complicações da doença, sendo sete entre moradores da Reserva Indígena.

 

Recursos federais para enfrentamento

Ao final do mês de março, o Ministério da Saúde destinou um aporte emergencial de 900 mil reais para o município, com a finalidade de fortalecer as ações de vigilância, assistência e combate à chikungunya. O recurso será transferido integralmente em uma única parcela do Fundo Nacional de Saúde ao fundo municipal.

 

Conforme nota do ministério, esses valores poderão ser empregados em estratégias como intensificação da vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, aprimoramento da assistência à população e apoio às equipes que atuam nos atendimentos.

 

Entenda a chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas dos mosquitos do gênero Aedes. No Brasil, o principal vetor é o Aedes aegypti. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, causando epidemias em vários países da América Central e nas ilhas do Caribe.

 

A confirmação dos primeiros casos no Brasil, por métodos laboratoriais, ocorreu no segundo semestre de 2014, nos estados do Amapá e da Bahia. Desde então, todos os estados do país apresentam registros de transmissão.

 

Segundo o Ministério da Saúde, em 2023 houve aumento expressivo na dispersão territorial do vírus, especialmente nos estados do Sudeste, embora anteriormente a maior incidência da doença tenha se concentrado na Região Nordeste.

 

Os principais sintomas clínicos incluem inchaço e dor articular intensa, que pode ser incapacitante, além de outras manifestações extra-articulares. Em situações graves, pode haver necessidade de internação hospitalar e risco de óbito.

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