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Ato em SP critica uso de Emei em filme contra Paulo Freire

Manifestantes questionam autorização da prefeitura para produtora com histórico de polêmicas gravar em escola pública.

18/04/2026 às 21:34
Por: Redação

Neste sábado, dia 18, um protesto reuniu professores, pais de alunos, representantes sindicais e parlamentares na capital paulista. O ato foi realizado em repúdio à utilização de uma instituição de ensino infantil da rede municipal como locação para a filmagem de um documentário. A produção, a cargo da empresa Brasil Paralelo, é acusada de difamar o sistema educacional público e a memória de Paulo Freire, figura reconhecida como patrono da Educação no Brasil.

 

A manifestação, organizada como uma aula pública, ocorreu na Praça Roosevelt. O local escolhido foi em frente à Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Patrícia Galvão (Pagu), onde a produtora Brasil Paralelo realizou as gravações para o filme intitulado Pedagogia do Abandono, que ainda não foi lançado.

 

A Brasil Paralelo é conhecida por desenvolver conteúdo voltado para a extrema-direita. A empresa já enfrentou processos judiciais, com alguns de seus colaboradores se tornando réus. Este histórico inclui a produção do filme A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha, que gerou controvérsia.

 

A Justiça do Ceará aceitou uma denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual, transformando dois funcionários da produtora em réus. Eles são suspeitos de envolvimento em uma campanha de ódio direcionada a Maria da Penha, figura emblemática na luta contra a violência doméstica no país.

 

Sandra Regina Bouças, diretora da Emei Patrícia Galvão, expressou a relevância do legado de Paulo Freire.

 

“A gente está aqui para dizer que Paulo Freire está presente. Ele está presente nas nossas escolas, nos nossos pensamentos, nos nossos estudos, e não só na EMEI Patrícia Galvão. Ele está presente na cidade toda, no Brasil a fora e fora do Brasil inclusive.”

 

Embora não tenha concedido entrevistas à imprensa, Sandra publicou uma carta em suas redes sociais, onde criticou a produção que utilizou as instalações internas da escola. A autorização para as filmagens havia sido concedida pela prefeitura de São Paulo.

 

Na carta, a diretora manifestou preocupação, afirmando ter identificado um projeto que visa "destruir a educação pública" e deturpar a imagem de Paulo Freire através de "identificações muito equivocadas". Ela questionou se a iniciativa não seria uma tentativa de endossar a ideia de que a terceirização ou privatização da Educação Infantil representaria a solução para uma educação de qualidade.

 

Sandra revelou que só tomou conhecimento de que a Brasil Paralelo seria a produtora responsável na véspera das filmagens.

 

“Na noite anterior à data marcada para a agravação, fomos surpreendidas por um termo de anuência em nome da Brasil Paralelo. Era a produtora responsável por vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente.”

 

Denise Carreira, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) e educadora popular, ressaltou que a finalidade da produção seria fragilizar políticas públicas de cunho social e racial, além da pauta de gênero.

 

“Precisamos estar atentas contra esse absurdo. E defender a escola democrática, a escola que promova uma educação transformadora baseada no pensamento, na trajetória, na ação de Paulo Freire.”

 

Eduarda Lins, mãe de uma aluna da Emei, elogiou a equipe da escola e criticou a produtora e a administração municipal.

 

“Quando a gente descobre que a nossa prefeitura está disponibilizando um espaço público para uma empresa privada com fins, no mínimo, obscuros, que inclusive está sendo investigada pelo MP, dói no nosso coração.”

 

Esclarecimentos da Spcine

 

A Spcine, por sua vez, comunicou que o pedido de gravação foi recebido e, após uma análise técnica realizada pela SP Film Commission, órgão encarregado de processar e encaminhar as solicitações de filmagem, a autorização foi concedida.

 

O órgão destacou que o procedimento é considerado padrão, sendo o mesmo protocolo aplicado a todas as outras 253 solicitações de filmagem recebidas pelo município para essa finalidade até o momento em 2026. No ano anterior, a Spcine informou ter autorizado mais de mil gravações.

 

A Spcine também enfatizou que a verificação de aspectos legais, como a permissão para uso de imagem e a participação de menores, é de responsabilidade exclusiva dos produtores do projeto.

 

A Agência Brasil tentou entrar em contato com a produtora Brasil Paralelo para obter um posicionamento, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.

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