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Anvisa e conselhos articulam ações para uso seguro de canetas emagrecedoras

Órgãos federais unem esforços para combater irregularidades e reforçar segurança no uso de medicamentos GLP-1

16/04/2026 às 18:31
Por: Redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) firmou uma carta de intenção em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) para direcionar a utilização adequada e segura dos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.

 

O objetivo central do acordo é evitar riscos sanitários provenientes de práticas e produtos irregulares, zelando pela saúde de toda a população nacional. A proposta do documento prevê colaboração entre as instituições por meio da troca de informações, alinhamentos técnicos e ações educativas voltadas tanto para profissionais da saúde quanto para o público em geral.

 

Como parte desse plano, estão previstas iniciativas para coibir irregularidades ligadas à importação e manipulação dessas canetas, além de incentivar a prescrição responsável, fortalecer o sistema de notificação de eventos adversos e realizar campanhas informativas.

 

O documento ressalta a preocupação das entidades com o uso crescente de medicamentos originalmente destinados ao tratamento de doenças crônicas como diabetes e obesidade, cuja popularidade tem aumentado em diferentes contextos clínicos.


 

Conforme destacado na carta, o aumento tanto da oferta quanto da procura pelas canetas emagrecedoras tem resultado em falhas nas etapas de importação, manipulação, prescrição e distribuição desses medicamentos, situações que potencialmente expõem os pacientes a riscos que podem ser evitados.

 

Novas medidas e grupos de trabalho

 

A Anvisa prevê, ainda para esta semana, a publicação de portarias para a formação de grupos de trabalho sobre o tema. Um dos grupos terá função consultiva e atuará como órgão estratégico para acompanhar o andamento e a execução do plano estabelecido. Outro grupo será constituído por representantes dos três conselhos, promovendo discussões técnicas e qualificadas sobre o uso desses medicamentos.

 

Fiscalização e apreensão de produtos

 

Na mesma semana, a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produzidos por uma empresa não identificada. A medida incluiu a proibição da comercialização, distribuição, importação e uso desses produtos.

 

Segundo a agência, esses medicamentos são amplamente divulgados na internet e vendidos como injetáveis de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, porém não possuem registro, notificação ou cadastro junto à Anvisa.


 

De acordo com comunicado da Anvisa, por serem produtos irregulares e de origem desconhecida, não existe garantia sobre o conteúdo ou qualidade, motivo pelo qual o uso desses medicamentos não deve ocorrer sob nenhuma hipótese.

 

Atuação policial e contrabando

 

Em outra frente, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus oriundo do Paraguai, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, com carregamento de canetas emagrecedoras e anabolizantes. O veículo, monitorado por suspeita de transporte de mercadorias ilegais, transportava 42 passageiros, todos levados para a Cidade da Polícia para esclarecimentos.

 

Durante a abordagem, um casal que havia embarcado em Foz do Iguaçu, no Paraná, foi detido em flagrante. Com eles, foram encontrados, para venda irregular no país, diversos anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras contendo tirzepatida, substância presente nesses medicamentos.

 

Riscos associados e alerta de segurança

 

Em fevereiro, a Anvisa emitiu um alerta de farmacovigilância sobre os perigos do uso inadequado de canetas emagrecedoras. O alerta englobou medicamentos como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

 

Na ocasião, explicou que mesmo que o risco já esteja especificado nas bulas dos produtos autorizados no país, o número de notificações de efeitos adversos tem crescido tanto no Brasil quanto internacionalmente, o que demanda reforço nas orientações de segurança.

 

“Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.”


 

Segundo a Anvisa, o acompanhamento médico é fundamental devido ao potencial de ocorrências de eventos adversos graves, incluindo casos de pancreatite aguda, que podem se apresentar em formas necrosantes ou mesmo fatais.

 

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