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Mineradora brasileira de terras raras é adquirida por grupo dos EUA

Serra Verde, produtora de terras raras em Goiás, foi vendida por US$ 2,8 bilhões para grupo dos EUA

21/04/2026 às 11:53
Por: Redação

A aquisição da mineradora brasileira Serra Verde pela companhia norte-americana USA Rare Earth (USAR) foi anunciada nesta segunda-feira, 20, em uma transação avaliada em aproximadamente 2,8 bilhões de dólares.

 

Localizada em Minaçu, no estado de Goiás, a Serra Verde opera a mina de Pela Ema, reconhecida como a única mina ativa de argilas iônicas do Brasil, com início de produção em 2024. A empresa é responsável pela produção das quatro terras raras pesadas consideradas mais críticas e valiosas fora do continente asiático: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Atualmente, mais de 90% da extração mundial de terras raras acontece na China.

 

Esses elementos são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, empregados em uma variedade de setores industriais e tecnológicos, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica, drones, equipamentos de ar-condicionado de alta eficiência, além das áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

 

Segundo a Serra Verde, a concretização desse negócio viabilizará a formação da maior empresa global do setor de terras raras. A produção em Goiás encontra-se atualmente na primeira etapa e é considerada ainda modesta, porém há expectativa de que o volume seja duplicado até o ano de 2030.

 

“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou o grupo Serra Verde, em declaração ao mercado.


 

Contrato de fornecimento estabelece horizonte de 15 anos

 

O acordo firmado prevê o fornecimento da produção da Fase I da Serra Verde, durante 15 anos, para uma Empresa de Propósito Específico (SPV), que contará com aporte financeiro de várias agências governamentais dos Estados Unidos e de investidores privados. Os termos garantem preços mínimos para as terras raras magnéticas ao longo desse período.

 

De acordo com nota divulgada pela USAR, o contrato de fornecimento proporciona fluxos de caixa estáveis e previsíveis para a Serra Verde, minimizando riscos, favorecendo investimentos e contribuindo para o desenvolvimento bem-sucedido da empresa.

 

O comunicado ainda destaca que a união entre as competências da Serra Verde e da USAR possibilitará a criação de uma empresa multinacional de referência na cadeia de terras raras, abrangendo mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs. Essa estrutura contará com oito operações distribuídas entre Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, com atuação em todas as etapas da cadeia produtiva de terras raras leves e pesadas.

 

“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a USAR, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, disse Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde.


 

O anúncio da aquisição repercutiu positivamente no mercado financeiro. Por volta das 15h30, as ações da USAR na bolsa de valores Nasdaq registravam valorização superior a 8%. O acordo prevê a permanência da equipe da Serra Verde, com dois executivos brasileiros integrando a diretoria da USAR: Sir Mick Davis, como presidente do conselho, e Thras Moraitis, como diretor executivo do Grupo Serra Verde.

 

O tema das terras raras tem sido abordado em diversos discursos de Donald Trump, que frequentemente critica a dependência global da produção chinesa desses minerais, motivo de divergências com o governo de Pequim.

 

Título atualizado às 18h21

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