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Lula anuncia reciprocidade após delegado brasileiro ser expulso dos EUA

Presidente afirma que Brasil reagirá à expulsão do agente federal, citando abuso dos EUA.

21/04/2026 às 16:29
Por: Redação

Durante compromisso oficial na Alemanha nesta terça-feira, 21, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o governo brasileiro adotará medidas de reciprocidade diante da decisão do governo dos Estados Unidos, sob administração de Donald Trump, de solicitar a saída de um delegado da Polícia Federal do território norte-americano.

 

O pedido dos Estados Unidos refere-se a um delegado envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem. O presidente afirmou a jornalistas que só tomou conhecimento do caso na manhã do mesmo dia.

 

“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula.


 

O presidente reforçou que o Brasil busca a condução correta dos processos, mas que não aceitará ingerências ou excessos, destacando que determinados agentes norte-americanos têm tentado impor práticas que afetam a soberania do país.

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira, 20, por meio da rede social X, que determinou a retirada de um “funcionário brasileiro” de seu território. Embora o comunicado não tenha nomeado o servidor, o texto faz menção à atuação de um delegado da Polícia Federal relacionado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

No comunicado oficial, os Estados Unidos alegaram que o agente brasileiro tentou contornar procedimentos estabelecidos para colaboração jurídica internacional.

 

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”


 

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal, ficou detido por dois dias na Flórida, sendo liberado na quarta-feira, 15. O Supremo Tribunal Federal condenou Ramagem a 16 anos de prisão no ano anterior, em ação penal referente a uma tentativa de golpe de Estado. Após a sentença, ele perdeu seu mandato parlamentar e deixou o Brasil com o objetivo de escapar do cumprimento da pena, estabelecendo residência nos Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que fosse encaminhado aos Estados Unidos, através do Ministério da Justiça e Segurança Pública, um pedido formal de extradição de Ramagem. Segundo informações da Polícia Federal, a prisão de Ramagem pelas autoridades migratórias norte-americanas resultou de uma cooperação internacional entre os serviços policiais do Brasil e dos Estados Unidos.

 

De acordo com a Polícia Federal, Alexandre Ramagem foi capturado em Orlando. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira após a condenação por crimes, incluindo organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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