Durante coletiva de imprensa em Barcelona nesta sexta-feira, Luiz Inácio Lula da Silva destacou como o crescimento das apostas digitais tem provocado o aumento do endividamento das famílias brasileiras. O presidente defendeu que haja regras mais rigorosas tanto para o setor de bets quanto para as grandes plataformas tecnológicas.
Segundo Lula, a ausência de mecanismos regulatórios para as apostas on-line e para as chamadas big techs representa um risco para a saúde mental e financeira da população, além de ameaçar a soberania nacional e a democracia.
Ao comentar sobre a evolução desse cenário, o presidente ressaltou que, historicamente, o Brasil sempre buscou restringir jogos de azar. No entanto, com os avanços tecnológicos, os cassinos passaram a ter presença dentro das residências dos brasileiros, acessíveis diretamente pelo celular.
Lula afirmou que a prática das apostas virtuais estimula gastos além da capacidade das famílias, agravando ainda mais os problemas financeiros domésticos. Ele enfatizou:
“Uma das coisas que está endividando a sociedade, fazendo com que ela gaste aquilo que não poderia gastar, são as apostas no mundo digital”, disse.
O presidente mencionou as iniciativas do governo federal, que busca resguardar as crianças dos impactos negativos do ambiente digital. Entre as medidas já adotadas, ele citou a proibição do uso de celular nas escolas de ensino fundamental, destacando que muitos questionaram a decisão, mas que ela obteve resultados positivos.
Lula observou que, com a restrição do celular, as crianças voltaram a interagir entre si e a retomar brincadeiras tradicionais, afastando-se temporariamente do uso excessivo desses dispositivos.
Ele também garantiu que haverá avanço no processo de regulamentação de todas as plataformas digitais que possam causar danos à democracia, à soberania dos países e ao bem-estar dos cidadãos.
“A internet não é para transmitir ódio, nem mentira. Não é para transmitir violência. Quem acompanha a internet sabe do que eu estou falando”, argumentou.
Lula ressaltou que a implementação de políticas para regulamentar o ambiente virtual é um desafio que precisa ser enfrentado de maneira coletiva, pois afeta todos os países. Ele considera que esse é um problema de escala mundial e exige uma resposta coordenada.
“Espero que o mundo tenha consciência de que este é um problema da humanidade. Precisamos regular tudo que for digital, para que a gente dê soberania aos nossos países, de forma a não permitir intromissões vindas de fora, sobretudo no ano eleitoral. Mundo afora, estão sendo criadas verdadeiras fábricas ou fazendas de mentiras”, acrescentou.