O evento Trem do Choro, realizado anualmente no Rio de Janeiro, terá sua 13ª edição na próxima quinta-feira, durante o feriado de São Jorge, comemorado no estado. A celebração marca o Dia Nacional do Choro, que remete ao nascimento do músico e compositor Alfredo da Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha. A organização ocorre em colaboração com a SuperVia.
Idealizado em 2012 pelo músico Luiz Carlos Nunuka e um grupo de amigos, o Trem do Choro nasceu com uma roda musical no bairro de Olaria, localizado na zona norte da capital fluminense. Essa reunião originou a Instituição Cultural Grupo 100% Suburbanos, responsável pelo início desta tradição.
Com o êxito da iniciativa no primeiro ano, a SuperVia passou a ser parceira do projeto a partir de 2013. Desde então, todos os anos, no Dia Nacional do Choro, a concessionária disponibiliza um trem exclusivo onde grupos de choro se apresentam nos oito vagões. Cada vagão recebe o nome de um grande representante desse gênero musical. O primeiro carro do trem, por tradição, homenageia Pixinguinha.
“E a cada ano, o Trem do Choro está se espalhando cada vez mais”, disse à Agência Brasil Itamar Marques, do Coletivo Trem do Choro, responsável pela organização e promoção do evento anualmente. Para participar, o público deve pagar apenas o valor normal da tarifa de embarque.
Nesta edição, a homenageada é Albenise de Carvalho Ricardo, nascida em 1969, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Reconhecida como Nilze Carvalho, ela é cantora, compositora, bandolinista e cavaquinista, formada em música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Nilze possui forte ligação com a música popular brasileira, especialmente com o choro instrumental e o samba do Rio de Janeiro.
A escolha de Nilze Carvalho representa uma homenagem a todas as mulheres, que têm enfrentado episódios de violência e agressão no país, de acordo com informações de Itamar Marques.
“Nada mais justo do que homenagear a mulher através de Nilze Carvalho”, destacou. Nilze ficará no primeiro carro, que possui maquinista. Em cada estação, o trem realiza uma parada, convidando o público a participar da festa e a apreciar os chorinhos executados.
Nesta 13ª edição, o Coletivo Trem do Choro também será oficializado. O coletivo é composto por diversas instituições culturais localizadas na região da Leopoldina, no Rio de Janeiro.
Segundo Itamar Marques, o projeto conta com a colaboração de vários participantes, cada qual contribuindo com sua especialidade, para garantir a preservação da história do Trem do Choro e fortalecer o segmento cultural. Itamar acrescenta que o choro se tornou um gênero mundial e observa um crescimento contínuo do público. Estima-se que de 6 mil a 7 mil pessoas participem do evento todos os anos.
A programação do Trem do Choro começa às 10h na Estação Central do Brasil, na Plataforma 12. O embarque do trem está previsto para as 11h18, com destino à Estação Olaria, que foi simbolicamente nomeada como “Estação do Choro Zé da Velha”. Durante o trajeto, grupos de choro se apresentarão em cada um dos vagões, promovendo a tradição da música instrumental brasileira ao longo do percurso ferroviário.
No bairro de Olaria, os músicos e demais participantes seguirão em cortejo pelo Circuito Mestre Siqueira até a Travessa Pixinguinha, local onde o homenageado do dia residiu e receberá tributo. Após esse momento, terá início a tradicional roda de choro, acompanhada de uma feira cultural organizada pelo Instituto Cultural Grupo 100% Suburbano, na Praça Ramos Figueira, conhecida também como Reduto Pixinguinha. Essa praça será palco ainda de uma ação social promovida em parceria com o Lions Club.