LogoPotiguar News

Anistia Internacional denuncia ações de EUA, Israel e Rússia contra sistema multilateral

Relatório anual destaca violações e críticas a Israel, EUA e Rússia; Brasil é citado por violência policial e de gênero

21/04/2026 às 17:59
Por: Redação

A Anistia Internacional, em seu relatório anual sobre a situação global dos direitos humanos divulgado nesta terça-feira (21), faz graves acusações contra Estados Unidos, Israel e Rússia, apontando que esses países estariam promovendo ações que enfraquecem o multilateralismo, o direito internacional e a atuação da sociedade civil. O documento apresenta uma análise detalhada de 144 países.

 

Segundo a secretária-geral da Anistia, Agnès Callamard, o sistema multilateral está sendo colocado em risco por predadores políticos e econômicos, bem como por aqueles que facilitam sua atuação. Ela afirma que o objetivo dessas ações não é corrigir ineficiências do sistema, mas sim garantir que ele sirva à hegemonia e ao controle desses atores.

 

“A resposta não é proclamar que o sistema é uma quimera ou que não há como consertá-lo, mas sim enfrentar seus fracassos, acabar com sua aplicação seletiva e continuar transformando-o para que seja plenamente capaz de defender todas as pessoas com a mesma determinação”, afirma Agnès Callamard.


 

Conflitos e violações atribuídas a Israel e Estados Unidos

 

No relatório, a organização afirma que Israel prossegue com atos classificados como genocidas contra a população palestina em Gaza, mesmo após a celebração de um cessar-fogo em outubro de 2025. A Anistia também destaca a permanência de um regime de apartheid imposto aos palestinos, agravado pela aceleração da expansão de assentamentos considerados ilegais na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e pelo avanço em direção à anexação definitiva dessas áreas.

 

Segundo a Anistia Internacional, autoridades israelenses vêm permitindo e, em alguns casos, incentivando ataques de colonos contra civis palestinos, fomentando um clima de terror e impunidade. O relatório acrescenta que figuras proeminentes do governo do país têm elogiado e glorificado a violência contra palestinos, com relatos de detenções arbitrárias e tortura de pessoas sob custódia.

 

Em relação aos Estados Unidos, o documento denuncia a realização de mais de 150 execuções extrajudiciais no Caribe e no Pacífico, por meio de bombardeios a embarcações. A Anistia também acusa o país de cometer um ato de agressão contra a Venezuela em janeiro de 2026, quando, segundo a organização, sequestrou o presidente Nicolás Maduro.

 

O relatório destaca ainda o uso indevido da força por parte dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em desrespeito à Carta das Nações Unidas, o que provocou uma série de ataques retaliatórios do Irã contra Israel e países membros do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo. Por sua vez, Israel ampliou a ofensiva militar contra o Líbano.

 

A Anistia menciona episódios como a morte de mais de 100 crianças em decorrência de um ataque dos Estados Unidos a uma escola no Irã, considerado ilegal, além da destruição significativa de infraestruturas energéticas por todos os lados envolvidos no conflito. A entidade alerta que tais ações colocam em risco a vida e a saúde de milhões de civis, podendo causar danos ambientais graves, duradouros e previsíveis. Entre os impactos citados, estão a restrição de acesso à energia, saúde, alimentação e água, tanto para a região quanto para outras partes do mundo.

 

Ofensiva militar russa e posição da Europa

 

De acordo com o relatório, a Rússia intensificou os bombardeios a infraestruturas civis essenciais na Ucrânia. A Anistia Internacional aponta que tanto a União Europeia quanto a maioria dos países europeus mantiveram uma postura conciliatória diante das violações cometidas pelos Estados Unidos contra normas internacionais e mecanismos multilaterais.

 

O documento enfatiza que não houve ações eficazes desses países para impedir o genocídio de Israel ou para restringir a transferência de armas e tecnologias que alimentam crimes em desrespeito ao direito internacional pelo mundo.

 

Violência policial e violações de direitos no Brasil

 

A Anistia Internacional identifica a violência policial como um dos maiores desafios no Brasil. Em outubro de 2025, uma operação antidrogas conduzida pelas polícias civil e militar do Rio de Janeiro em favelas resultou na morte de mais de 120 pessoas, em sua maioria negras e em situação de vulnerabilidade social, com múltiplos relatos de execuções extrajudiciais. A Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense, foi descrita como a mais letal já registrada no estado.

 

A organização classifica esse episódio como parte de um padrão histórico de policiamento letal que afeta de forma desproporcional comunidades negras e periféricas, ressaltando que a população negra permanece mais exposta ao uso letal da força por agentes do Estado.

 

A Anistia também observa que a violência de gênero segue em níveis elevados no Brasil, com a persistência de feminicídios em diferentes regiões e a continuidade da impunidade. O relatório aponta que pessoas LGBTI continuam sendo alvo de agressões de caráter racista e lgbtifóbico, sem que haja resposta protetiva suficiente por parte do Estado.

 

“A Anistia Internacional apela ao Brasil para que adote medidas efetivas de responsabilização pela violência policial, avance urgentemente na demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, enfrente a crise climática com ambição compatível com sua responsabilidade histórica e garanta, sem discriminação, os direitos humanos de toda a sua população”, conclui a organização.


 

© Copyright 2025 - Potiguar News - Todos os direitos reservados