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Irã e Hezbollah afirmam que união do Eixo da Resistência garantiu trégua

Trégua no Líbano é atribuída à força do Eixo da Resistência; Irã e Hezbollah mantêm cautela diante do acordo.

17/04/2026 às 17:43
Por: Redação

O governo do Irã e o grupo Hezbollah atribuem o recente cessar-fogo no Líbano à articulação e força de combate do chamado Eixo da Resistência, que reúne entidades contrárias às políticas de Israel e dos Estados Unidos na região do Oriente Médio.

 

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscou associar a trégua à atuação da Casa Branca, representantes do Irã destacaram que o acordo para interromper o confronto era uma condição imposta por Teerã para a continuidade das negociações mantidas com Washington. Após o encerramento dos confrontos, o Irã anunciou que reabriu o Estreito de Ormuz para embarcações comerciais.

 

O Hezbollah divulgou que realizou 2.184 operações militares ao longo de 45 dias de conflito com o exército israelense, o que representa uma média de 49 operações diárias. As ofensivas tiveram como alvo as tropas de Israel dentro do território libanês, além de instalações, quartéis e bases militares localizadas em solo israelense e nos territórios palestinos ocupados, incluindo áreas a até 160 quilômetros da fronteira.

 

“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro", diz comunicado divulgado pela TV Al-Manar, vinculada ao Hezbollah.


 

O líder do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, responsável pela delegação do Irã nas tratativas com os Estados Unidos, também declarou que a interrupção das hostilidades se deve à persistência do Hezbollah e à união das forças do Eixo da Resistência.

 

“A Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo. Cabe à América recuar do erro de ‘Israel em primeiro lugar’. O cessar-fogo não foi senão resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência; e lidaremos com este cessar-fogo com cautela, e permaneceremos juntos até a verificação completa da vitória”, disse em uma rede social.


 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, ressaltou que o acordo para o fim dos combates é fruto direto das iniciativas diplomáticas promovidas por Teerã.

 

“Desde o início das negociações com várias partes regionais e internacionais, incluindo as negociações em Islamabad, a República Islâmica do Irã tem consistentemente enfatizado a necessidade imperativa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, inclusive no Líbano”, afirmou Baghaei.


 

Movimentação política e militar em Israel

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, vinha declarando a intenção de ocupar o sul do Líbano até o Rio Litani, a 30 quilômetros da fronteira. Um dia antes do anúncio do cessar-fogo, Netanyahu afirmou que ordenou a continuidade da ofensiva para conquistar a cidade de Bent Jbel.

 

Segundo informações do jornal israelense The Times of Israel, membros do gabinete de ministros do país receberam a notícia do cessar-fogo com surpresa. Netanyahu teria comunicado que aceitou o acordo a pedido de Donald Trump. A oposição ao primeiro-ministro criticou duramente o que considerou um cessar-fogo "imposto" a Israel.

 

O portal Ynet, também de Israel, informou que um oficial das Forças Armadas israelenses declarou que as tropas permaneceriam em território libanês, mesmo após a implementação do acordo de trégua.

 

Antecedentes e contexto do conflito

Os atuais episódios da guerra entre Israel e Líbano se iniciaram em outubro de 2023, quando o Hezbollah passou a atacar o norte de Israel em solidariedade aos palestinos, que enfrentavam ataques na Faixa de Gaza.

 

Em novembro de 2024, foi estabelecido um acordo de cessar-fogo entre o Hezbollah e o governo de Tel Aviv. Contudo, Israel manteve ofensivas no território libanês mesmo após o acerto.

 

Após o início de ataques contra o Irã, em 28 de fevereiro, o Hezbollah voltou a lançar ofensivas contra Israel, justificando a ação como resposta às violações recorrentes do cessar-fogo nos meses anteriores e em retaliação ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

 

No dia 8 de abril, houve o anúncio do cessar-fogo na guerra envolvendo o Irã, mas, na sequência, Israel manteve ataques em território libanês, descumprindo novamente o acordo daquela vez mediado pelo Paquistão.

 

O governo iraniano condicionava a continuidade das negociações com os Estados Unidos à inclusão do Líbano no cessar-fogo, com a segunda rodada de conversas agendada para os próximos dias.

 

Histórico da disputa entre Hezbollah e Israel

O embate entre Israel e o Hezbollah tem origem na década de 1980, com o surgimento da milícia xiita em resposta à invasão e ocupação do território libanês por parte das forças israelenses, que tinham como objetivo perseguir grupos palestinos refugiados no país vizinho.

 

Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os militares de Israel do Líbano. Desde então, a organização passou a integrar o Parlamento libanês e a participar dos governos do país.

 

O Líbano foi novamente alvo de ataques israelenses nos anos de 2006, 2009 e 2011.

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