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Lula defende reciprocidade após retirada de agente dos EUA da Polícia Federal

Presidente apoia retirada das credenciais de agente norte-americano após decisão dos EUA contra delegado brasileiro

23/04/2026 às 10:57
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à decisão tomada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de revogar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que exercia funções na sede da Polícia Federal, em Brasília.

 

Lula declarou que a medida adotada pela autoridade policial está alinhada ao princípio de reciprocidade. O presidente afirmou:

 

“Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse Lula em vídeo divulgado nas redes sociais, acompanhado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

 

A ação brasileira ocorreu após o governo norte-americano solicitar a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que também atuava nos Estados Unidos. Segundo informações, esse delegado participou da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Durante a manhã, o Ministério das Relações Exteriores comunicou, por meio de nota publicada na rede social X, que a representante da embaixada dos Estados Unidos foi informada em 21 de maio sobre a adoção do princípio da reciprocidade pelo Brasil. O comunicado esclareceu que a decisão foi tomada "diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso", em desacordo com o acordo bilateral de cooperação policial firmado entre os dois países.

 

O texto ainda destacou que a medida desconsidera práticas diplomáticas adequadas no diálogo entre países que mantêm relações amistosas há mais de dois séculos, como Brasil e Estados Unidos.

 

O comunicado do Ministério das Relações Exteriores pontuou que o agente brasileiro atuava com base em um memorando de entendimento entre os governos brasileiro e norte-americano, referente à facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação em segurança. O texto informou que o Brasil decidiu adotar tratamento equivalente ao agente dos Estados Unidos.

 

Retaliação após decisão dos EUA

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos divulgou, em 20 de maio, que havia solicitado a retirada de um "funcionário brasileiro" dos Estados Unidos. Embora o comunicado não tenha citado nomes, a menção foi ao delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido diretamente na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Alexandre Ramagem, que ocupou o cargo de diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi preso pelo serviço de imigração norte-americano na Flórida e permaneceu detido por dois dias. Solto em 15 de maio, Ramagem havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal em processo penal relacionado a uma tentativa de golpe de Estado. A pena, fixada em 16 anos de prisão, resultou na cassação de seu mandato e em sua fuga para os Estados Unidos com o objetivo de evitar o cumprimento da sentença.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública encaminhasse um pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos.

 

Em abril do mesmo ano, a Polícia Federal informou que a detenção de Ramagem, realizada pelas autoridades de imigração dos Estados Unidos, foi uma consequência de cooperação policial internacional entre os dois países.

 

De acordo com informações da Polícia Federal, Alexandre Ramagem foi capturado na cidade de Orlando e é considerado foragido pelo sistema judiciário brasileiro após ser condenado por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado democrático de direito.

 

Reforço no quadro da Polícia Federal

 

No mesmo vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente Lula também anunciou a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal. Esses profissionais atuarão em portos, aeroportos e áreas de fronteira, reforçando o combate ao crime organizado, que é uma das prioridades do governo federal.

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