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Lula critica ações dos EUA sob Trump e alerta para risco global

Entrevista destaca críticas de Lula à postura dos EUA e preocupação com bloqueio a Cuba e riscos de guerra

17/04/2026 às 00:25
Por: Redação

Durante entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou novamente seu posicionamento contrário às políticas internacionais conduzidas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente em relação ao Irã, Cuba e Venezuela. Lula avaliou que ameaças feitas pela Casa Branca a outros países não encontram respaldo nem na Constituição americana, nem na carta das Nações Unidas, e que os Estados Unidos não possuem o direito de impor sua vontade sobre outras nações.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”

 

Lula afirmou ainda que está faltando liderança política internacional que compreenda que o planeta não pertence a um único país. Para o presidente brasileiro, é necessário que as maiores potências assumam maior responsabilidade pela paz mundial.

 

“Por mais importante que seja esse país, é importante que os maiores tenham mais responsabilidade de manter a paz no mundo”

 

Posição sobre ameaças e intervenções

 

O presidente mencionou ameaças recentes de Trump ao Irã, incluindo a possibilidade de cometer genocídio caso o país do Oriente Médio não aceitasse os termos propostos pelos Estados Unidos para a conclusão da guerra na região. Lula também fez críticas às posturas de Washington em relação à Cuba e à Venezuela.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”

 

Preocupação com conflito global

 

Durante a entrevista, Lula foi questionado sobre a possibilidade de um conflito internacional de grandes proporções e afirmou que uma nova guerra mundial teria consequências muito mais devastadoras do que a Segunda Guerra Mundial.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”

 

O presidente brasileiro afirmou que se líderes globais persistirem em agir de forma unilateral e agressiva, há risco real de escalada para conflitos mais amplos:

 

“Se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”

 

Questão cubana e bloqueio energético

 

Lula condenou com veemência o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos a Cuba, ressaltando que o embargo econômico ao país caribenho já dura quase setenta anos. Lula classificou Cuba como um país precioso para o Brasil e questionou as razões que levam a manutenção de tal bloqueio por tanto tempo. Ele ainda apontou que, se o objetivo fosse preocupação humanitária, outros países em situação difícil, como o Haiti, deveriam igualmente receber atenção internacional, o que segundo ele, não ocorre.

 

O presidente destacou o cenário crítico que o Haiti enfrenta, com uma crise econômica e social aprofundada, marcada pelo controle de gangues armadas em grande parte da capital Porto Príncipe. Segundo Lula, Cuba precisa de oportunidades para melhorar sua situação interna, questionando como um país consegue sobreviver sem receber alimentos, combustíveis e energia devido às restrições impostas.

 

Eleições e relações com a Venezuela

 

Em relação à Venezuela, Lula declarou que a posição do governo brasileiro sempre foi a favor da realização das eleições previstas para julho de 2024, defendendo que os resultados do pleito sejam respeitados para que o país vizinho possa recuperar a paz. Segundo o presidente, não cabe aos Estados Unidos administrar a Venezuela.

 

Disputa comercial e taxações

 

Lula também abordou a questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras, vigentes entre abril e agosto de 2025. Ele relembrou diálogo com Trump, no qual afirmou que não buscava concordância ideológica, mas sim defender os interesses do Brasil nas relações bilaterais, assim como o presidente norte-americano o faz em relação aos interesses dos Estados Unidos.

 

Após negociações entre os governos brasileiro e norte-americano em novembro de 2025, Washington revogou uma tarifa de quarenta por cento que incidia sobre diversos produtos brasileiros, incluindo café e carne. Já em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a cobrança adicional instituída por Trump sobre exportações de dezenas de países, decisão que atendeu a pedidos de empresas estadunidenses afetadas pelas medidas.

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